terça-feira, 27 de abril de 2010

Sader: Lula se re-encontra com Vargas

1932: revolução ou golpe?
As declarações do Lula no Sindicato dos Metalurgicos de São Bernardo, afirmando que o movimento de 1932 em São Paulo foi um golpe e não uma revolução, acompanhado da constatação de que nenhum espaço público de importância leva o nome de Getúlio, o estadista mais importante do Brasil no século XX, têm uma dupla importância.
Em primeiro lugar, representa uma autocrítica de uma geração de sindicalistas muito hostil ao Getúlio nas suas origens e por um bom tempo. Nascida para a política durante a ditadura militar, aquela geração de sindicalistas desenvolveu forte ojeriza contra o Estado, no que assimilavam desde o regime militar até o sindicalismo nascido com Getúlio, incluindo a oposição ao imposto sindical e ao atrelamento dos sindicatos ao Estado através dele.
Lula reconheceu, a partir da análise comparativa da história brasileira, da sua própria experiência de governo e da atitude da oposição – incluindo a imprensa de direita – as similitudes com a luta do Getúlio. A trajetória da esquerda brasileira entre Getúlio e Lula – que eu analiso no primeiro capítulo do livro “O Brasil, entre o pasado e o futuro”, que organizei com o Marco Aurélio Garcia, publicado pela Boitempo e pela Perseu Abramo – é o fio condutor para entender o Brasil de hoje e a história do movimento popular brasileiro. A inauguração de uma auditório com o nome de Getúlio Vargas no Sindicato dos Metalúrgicos de São Bernardo, representa esse importante resgate e a reivindicação da luta nacionalista histórica no Brasil com as lutas contemporâneas contra o neoliberalismo.
No entanto, uma outra conotação é tão importante quanto essa. O movimento de 1932 representou uma tentativa da elite paulista de recuperar o poder, arrebatado pelo Revolução de 1930, que representaria a mais importante e mais popular transformação política que o Brasil teria ao longo de todo o século passado. O movimento tinha um sentido claramente elitista e separatista, com o lema “Non ducor, duco” – “Não sou conduzido, conduzo”, – com a idéia de que São Paulo seria a “locomotiva da nação” e o resto, vagões lentos e pesados, que São Paulo carregava. Tinha um sentido separatista e antinacional, opondo-se aos projetos que Getúlio começava a implementar.
Desde Washington Luis – carioca adotado pela elite paulista, notabilizado por sua frase “A questão social é questão de polícia” – que São Paulo não conseguiu eleger um presidente – até que outro carioca adotado pela elite paulista, FHC, se elegeu. Mesmo sendo o estado mais rico, não conseguia se erigir em líder do país. Os tucanos resgataram esse papel, essa continuidade com 1932, representando a elite branca dos jardins da capital paulista, que busca falar em nome do estado que abriga a maior população nordestina do Brasil.
O governo de FHC traduziu isso da forma mais clara: governo dos banqueiros, que desprezou o desenvolvimento e o resto do país, para priorizar a estabilidade monetária e remunerar aos bancos com taxas de juros que chegaram a 48% – em janeiro de 1999, numa das três crises e cartas de intencao do FMI a que FHC levou o país.
O mesmo sentimento de arrogância, de suposta elite nacional, foi herdado pelos tucanos. As declarações que escaparam a Serra de que a culpa pela deterioração da educação em São Paulo – uma evidência que fala muito mal de quem governou o estado mais rico do Brasil há década e meia – era dos nordestinos, pelo afluxo deles ao estado, expressa esse sentimento de elite “ bem cheirosa” , como se disse agora, com grande eloqüência.
É como se essa elite branca de São Paulo odiasse o Brasil e preferisse ter nascido em um país da Europa ocidental ou nos EUA, sem se dar conta que a São Paulo real representa uma amostra de todo o Brasil, bastando recordar que é a cidade que abriga a maior quantidade de nordestinos. Mas essa elite não se sente ligada ao Brasil, tem uma atitude discriminatória, olha com um olhar superior para os outros estados e regiões.
Os tucanos, com FHC, Serra, representam esse espírito da elite paulista. Luiza Erundina foi um caso de exceção: uma mulher nordestina e de esquerda governando a cidade. Essa elite considera Marta Suplicy como tendo traído suas origens de classe, ao desenvolver uma política social dirigida prioritariamente aos mais pobres.
Ter apontado o papel de Getúlio na história do Brasil, para redefinir o caráter de 1932, como fez Lula, demonstra como os nordestinos imigrantes não têm porque ficar subordinados à visão e aos interesses da elite paulista. Há uma outra São Paulo, que constrói cotidianamente a riqueza do Estado, que não se identifica com a elite dos jardins paulistanos e da imprensa conservadora paulista.

Com o aquecimento global, geladeiras viram sonho de consumo dos ESQUIMÓS


Renato Grandelle
RIO - Uma velha máxima, que denotava algo praticamente impossível, ganhou contornos reais nos últimos meses: vender geladeira para esquimó deixou de ser absurdo para tornar-se até desejável. Assustado com as mudanças climáticas, o povo do Ártico testemunha a redução de sua temporada de caça, quando o gelo flutuante é firme e permite incursões atrás de focas e baleias. Com menos tempo para buscar alimentos, é preciso armazená-los por mais tempo. Os tradicionais celeiros subterrâneos dos vilarejos não têm cumprido esta missão: muitos cedem ao calor crescente e, assim, deixam todo o estoque estragar. Chegou a hora de recorrer aos eletrodomésticos.
- É um paradoxo. O Ártico deveria ser frio e escuro de novembro a maio, e agora nós precisamos de freezers - lamenta, em entrevista por telefone de Nuuk, na Groenlândia, Aqqaluk Lynge, vice-presidente do Conselho Circumpolar Inuit (CCI) naquele território.
Além da ilha, o CCI reúne esquimós do Alasca, Canadá e de Chukotka, uma região autônoma no norte da Rússia. São, ao todo, 160 mil pessoas. Apesar disso, o pedido por freezers não ecoou na Conferência do Clima realizada em Copenhague, quatro meses atrás. Os aparelhos não chegaram ao Ártico até hoje.
O aquecimento global não provoca estragos apenas na despensa dos esquimós. A cada aumento de 1 grau Celsius nos termômetros, o Ártico perde 1,4 milhão de quilômetros quadrados de gelo flutuante, uma área equivalente ao Nordeste brasileiro. Se a temperatura média global aumentar 2 graus, algo já considerado inevitável, no Ártico ela subiria até três vezes mais.
Precisamos de infraestrutura. Grandes freezers comunitários contribuiriam para os novos padrões de caça, que só nos permite procurar alimentos poucas vezes por ano
Se os números parecem distantes, aos fatos: habitada há quatro séculos, a comunidade de Shishmaref, no norte do Alasca, foi forçada a se mudar, devido ao derretimento do solo congelado ao longo de sua costa. O litoral, assim, fica mais vulnerável a tempestades e à erosão, comprometendo casas e o sistema hidráulico. A dificuldade para encontrar rotas seguras também se repete em numerosos vilarejos.
- A organização das comunidades, a temporada de caça, a migração dos animais... tudo está mudando - exaspera-se Lynge. - Há alternativas como a pesca comercial, mas ainda não as conhecemos.
Em Copenhague, a porta-voz do CCI, Violet Ford, também ressaltou a falta de recursos para pedir ajuda a seu povo:
- Precisamos de infraestrutura. Grandes freezers comunitários contribuiriam para os novos padrões de caça, que só nos permite procurar alimentos poucas vezes por ano - disse, durante a conferência.
Violet sublinhou que as privações não seriam de um ou dois grupos, mas de toda aquela sociedade. Para os esquimós, a comida não é do caçador, mas de quem precisa. Pedir permissão para beber um simples copo de suco é uma ofensa. Quem sente fome ou sede deve saciar sua vontade sem dar satisfações.
- A comida deve ser compartilhada livremente - explica Edmund Searles, antropólogo da Universidade de Bucknell, nos EUA, e especialista em esquimós. - Essa divisão dos alimentos dá coesão social do grupo. Sem esse mecanismo, a sociedade entra em colapso.
Mil anos atrás, a elevação das temperaturas fez os caçadores esquimós migrarem para o norte, mesmo caminho seguido pelas baleias. Agora, segundo Searles, o povo do Ártico pode se ver obrigado a uma nova mudança radical.
- O Ártico é como a Amazônia: um local imenso, pouco habitado e imprescindível para o clima do planeta - compara Aqqualuk Lynge. - Enquanto mantivermos nossa paisagem gelada, ótimo. Mas essa missão tem sido difícil de cumprir.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Especialistas alertam sobre a iminente crise de escassez de fósforo!


Der Spiegel
O elemento fósforo é essencial à vida humana e o ingrediente mais importante dos fertilizantes. Mas os especialistas alertam que as reservas de rochas de fosfato do mundo estão acabando. Será que reciclar o esgoto é a resposta?
Eles peneiram o pó entre os dedos, cheiram-no e admiram seu leve brilho marrom. Membros de uma delegação japonesa, vestidos com ternos pretos e capacetes amarelos, observam com atenção dentro de uma fábrica em Leoben, Áustria, maravilhados com a transformação aparentemente milagrosa do esgoto fétido em cinzas valiosas.
Nada indica que a poeira marrom venha de uma fossa. Ela não tem cheiro, é higiênica e tão segura quanto a areia de um parquinho infantil. E também é valiosa. A poeira contém cerca de 16% de fosfato. O elemento, principal ingrediente básico dos fertilizantes minerais, é atualmente comercializado por US$ 335 a tonelada.
O lodo de esgoto costumava ser jogado sem tratamento nas plantações como esterco líquido, até que se tornou evidente o quanto era tóxico. As excreções humanas estão cheias de metais pesados, hormônios, bifenil – e medicamentos. Novas fábricas de processamento conseguem remover essas toxinas com muito mais eficácia hoje, abrindo caminho para o uso do lodo de esgoto como um fertilizante seguro. A Ash Dec, companhia que opera a fábrica piloto em Leoben, apelidou o programa de “Ash to Cash” [“Cinzas em Dinheiro”].
Essa abordagem pouco convencional pode ser importante para toda a humanidade. Embora o termo “pico do petróleo” - o ponto em que a capacidade de produção chegará ao pico antes que os poços de petróleo comecem a secar – seja bastante conhecido, poucas pessoas sabem que as reservas de fósforo também estão se esgotando. Especialistas se referem a este cenário como o “pico do fósforo”.
“Embora o tempo exato seja motivo de controvérsia, está claro que a qualidade das rochas de fosfato que ainda restam está diminuindo, e os fertilizantes baratos em breve serão coisa do passado”, alerta Dana Cordell do Instituto para Futuros Sustentáveis em Sidney. Uma crise de fosfato seria no mínimo tão séria quanto uma crise do petróleo. Enquanto o petróleo pode ser substituído por outras fontes de energia – nuclear, eólica ou solar –, não há uma alternativa para o fósforo. É um elemento básico para todo tipo de vida, e sem ele os seres humanos, animais e plantas não podem sobreviver.

Gerador da vida e letal

O elemento fósforo liga-se ao oxigênio, que dá a ele seu duplo papel como elemento gerador da vida e também como elemento letal. Como ele se liga facilmente, o fósforo é altamente inflamável, e por isso é usado em bombas incendiárias. Por outro lado, o fósforo é uma parte essencial das biomoléculas.
O químico conhecido como fosfato, que consiste em um átomo de fósforo cercado por um cordão de segurança de átomos de oxigênio, é uma das bases da vida. O corpo humano, por exemplo, contém cerca de 700 gramas de fósforo. Nossos dentes de ossos devem sua força a um mineral de fosfato, mas as células nervosos e os músculos também dependem do químico. Até as moléculas de DNA são mantidas unidas pelo fósforo.
“A vida pode se multiplicar até que todo o fósforo desapareça, e então haverá uma interrupção inexorável que nada poderá evitar”, escreveu o autor de ficção científica e bioquímico Isaac Asimov. Pessoas que não consomem pelo menos 0,7 gramas de fósforo por dia com seus alimentos têm maior probabilidade de sofrer sintomas de deficiência.
A demanda por fertilizantes para plantar alimentos para ração animal cresceu por conta da fome de carne dos países ricos. O crescimento da prosperidade na China e o cultivo de plantas para produzir biocombustíveis estão aumentando ainda mais essa demanda, o que gera mais especulação nos mercados globais. Há dois anos, o preço da rocha de fosfato subiu 700%, e depois teve uma ligeira queda. Os mercados estão nervosos.

“Uma bomba-relógio”

Apenas quatro países – Marrocos, China, África do Sul e Jordânia – controlam 80% das reservas de fosfato utilizável do mundo. O Marrocos é um exportador particularmente importante, a Arábia Saudita do fósforo, por assim dizer.. Suas reservas se formaram há milhões de anos, quando restos de animais de plâncton foram depositados como sedimentos no fundo de um mar raso e quente. O tesouro fóssil do Marrocos responde por cerca de 37% das reservas mundiais.

Até mesmo o escritor francês Victor Hugo reconheceu o problema, interrompendo seu famoso livro “Os Miseráveis” para escrever várias páginas de uma defesa inflamada do uso de material fecal humano como fertilizante. “Não há guano que se compare em fertilidade aos detritos de uma capital”, enfatizou.A Europa, por outro lado, quase não tem reservas próprias, e depende das importações para satisfazer 90% de sua demanda. O fósforo é uma “bomba-relógio geoestratégica”, alerta David Vaccari, professor de engenharia ambiental no Instituto de Tecnologia Stevens em Hoboken, Nova Jersey. “Eventualmente podemos ser obrigados a implantar um alto grau de reciclagem à medida que os recursos se tornam escassos”, diz ele. “Quanto mais cedo implantarmos tecnologias de reciclagem, mais tempo os recursos atuais durarão, facilitando a transição para um período em que uma intensa reciclagem se tornará imperativa.”
E agora o sonho do escritor pode finalmente tornar-se realidade. A indústria é chamada de “mineração urbana”, e além de reciclar metais, vidros e plástico, logo poderá transformar os esgotos em minas de fertilizantes. As estações de tratamento de esgoto acumulam quase um quilo de fosfato por ano por morador.
Nas estações de tratamento de esgoto atuais, os fosfatos vão parar no logo, que é então aquecido em fábricas de mono-combustão e com frequência levado a aterros em forma de cinza ou misturados ao concreto – junto com este valioso fertilizante.
Consumido, digerido, excretado e enviado descarga abaixo
Mas isso poderá mudar em breve, como descobriu a delegação japonesa em sua visita à fábrica piloto de Leoben. A região em torno da fábrica já foi o centro da indústria de mineração da Áustria, que desde então entrou num declínio visível. Muitas casas em Leoben estão vazias hoje.
Agora a mineração urbana poderá dar nova vida à região. As cinzas são entregues à fábrica por caminhões da companhia de tratamento de esgoto em Viena, a cerca de 150 quilômetros dali. A poeira marrom clara e fina é guardada em grandes sacos plásticos, e nada ali sugere que suas partículas já foram uma refeição deliciosa, antes de ser consumida, digerida, excretada e enviada descarga abaixo pelo sistema de esgoto da cidade.
Quando chegam na fábrica, as cinzas do lodo de esgoto não são apropriadas para serem usadas como fertilizantes, porque contêm níveis excessivamente altos de metais pesados como o cádmio. À medida que as engrenagens gemem e as correias transportadoras chiam, as cinzas, combinadas com aditivos químicos, passam para um forno giratório, onde uma chama de gás natural as esquenta a 1.000 ºC. Depois de meia hora no forno giratório, as cinzas, que já passaram por dois processos de purificação, têm um conteúdo de cerca de 16% de fosfato. Elas são então enriquecidas com outros nutrientes, como o potássio e o nitrogênio, para chegar ao produto final: o fertilizante urbano.
“Depois da reciclagem, o conteúdo de metal pesado é significativamente mais baixo do que na maioria dos fertilizantes convencionais”, diz Ludwig Hermann, co-fundador da Ash Dec. “No começo, tudo que podia dar errado dava errado”, diz ele, referindo-se à fábrica piloto de US$ 2,7 milhões. “As caldeiras quebraram e as cinzas cozinharam até virarem pedaços duros”. A máquina que Hermann usa agora para a mineração urbana já foi usada para processar alumínio.

“O miraculoso portador da luz”

Suas experiências são comuns na emergente indústria de reciclagem de fosfato, onde há muita especulação, testes e erros – quase como era há 340 anos, quando o fósforo foi descoberto. Foi o alquimista Hennig Brand, de Hamburgo, que descobriu uma substância promissora que brilhava misteriosamente no escuro, enquanto buscava a “pedra filosofal” em 1669.
A receita do alquimista era de certa forma estranha. Pegue a urine “dourado-amarelada”, destile-a e aqueça o resíduo. Usando este método rudimentar, ele obteve alguns gramas de fósforo a partir de várias centenas de litros de urina. Então ele vendeu os pedaços a outros cientistas por grandes somas de dinheiro. O matemático Gottfried Wilhelm Leibniz também estava interessado o segredo do “phosphorus mirabilis” (“o miraculoso portador da luz”).
O uso prosaico do fosfato como fertilizante foi descoberto por acidente mais de 200 anos depois. O material era um subproduto da produção de aço na Inglaterra, conhecido como o pó de Thomas. Este lixo industrial mais tarde se mostrou útil como um ótimo fertilizante.
Depois disso, o fósforo passou a ter várias aplicações: na fertilização das plantas, nas rações animais, na superfície das caixas de fósforo e nas armas. Ironicamente, os aliados usaram bombas incendiárias de fósforo na 2ª Guerra Mundial para destruir Hamburgo, o local em que o “milagroso portador da luz” foi descoberto.

Salvação nos esgotos

Com o advento da mineração urbana, uma nova fonte do escasso elemento está sendo explorada. Muitos métodos para retirar materiais brutos do esgoto estão sendo testados no processo. Na Holanda, por exemplo, a companhia Thermphos está produzindo fósforo branco de qualidade para uso na indústria a partir de grandes quantidades de cinzas de lodo de esgoto. A Alemanha também em breve assumirá um papel pioneiro com um centro de pesquisa inovador na reciclagem de fósforo.
No mais tardar em 2012, Hermann planeja construir uma fábrica de 12 milhões de euros dentro de um projeto com o Instituto Federal para Pesquisa e Teste de Materiais, com sede em Berlim. Um local no Estado de Brandemburgo, no leste da Alemanha, está sendo considerado.
“Com a nossa tecnologia, a reciclagem poderá satisfazer um terço da demanda por fertilizantes da Alemanha”, diz Hermann. Sua primeira fábrica em escala industrial deverá ser sete vezes maior do que a fábrica piloto na Áustria, e produzirá 29 mil toneladas de fertilizantes por ano. Ele planeja obter o material bruto das estações de tratamento de esgoto próximas, num raio de 300 quilômetros. Mas a maior parte dele virá daquela que talvez seja a mais importante mina de fosfato da Alemanha: os esgotos de Berlim.



O Banco Mundial e a redução da pobreza


Alessandra Corrêa
Da BBC Brasil em Washington, em 20/04/2010
A taxa de pobreza está caindo desde 2003 no Brasil
Apesar de ainda ter uma das mais altas taxas de desigualdade do mundo, o Brasil conseguiu avanços “dramáticos” em redução da pobreza e distribuição de renda, diz um relatório com indicadores de desenvolvimento divulgado nesta terça-feira pelo Banco Mundial (Bird).
“Enquanto as desigualdades de renda se agravaram na maioria dos países de renda média, o Brasil assistiu a avanços dramáticos tanto em redução da pobreza quanto em distribuição de renda”, diz um trecho do documento.
“A desigualdade permanece entre as mais altas do mundo, mas os avanços recentes mostram que nem sempre o desenvolvimento precisa vir acompanhado de desigualdade”, diz o texto sobre o Brasil.
Segundo os indicadores do Bird, a taxa de pobreza do Brasil caiu de 41% no início da década de 90 para entre 33% e 34% em 1995. Depois de se manter nesse nível até 2003, a taxa de pobreza apresentou declínio constante, caindo para 25,6% em 2006.
O documento diz que as taxas de pobreza extrema seguiram padrão semelhante, caindo de 14,5% em 2003 para 9,1% em 2006.
“A redução do número de pessoas vivendo na pobreza foi acompanhada por um declínio na desigualdade de renda”, diz o relatório.
De acordo com o Bird, fatores como inflação baixa e programas de transferência de renda, como o Bolsa Família, tiveram papel importante nesse desempenho.
Outros indicadores
O relatório também destaca os avanços registrados pelo Brasil em outros indicadores sociais, como a redução da taxa de mortalidade infantil, que passou de 56 para 22 em cada mil no período entre 1990 e 2008, em parte devido a melhores índices de vacinação.
Segundo o documento, o Brasil registrou ainda uma rápida redução nos índices de trabalho infantil e aumentou os níveis de frequência escolar.
O relatório traz dados sobre o cumprimento das Metas do Milênio, estabelecidas pelas Nações Unidas em 2000. Elas preveem melhoras em vários indicadores até 2015.
De acordo com o Bird, dez anos depois do lançamento da iniciativa, o progresso tem sido desigual e somente pouco mais da metade dos países com dados disponíveis está no caminho para atingir as metas.
“Cerca de 41% das pessoas em nações de baixa e média renda vivem em países que não devem atingir as metas. E 12% vivem nos 60 países sobre os quais não há dados suficientes para medir o progresso”, diz o relatório.
No entanto, segundo o Bird, houve progressos consideráveis nesses 10 anos e, apesar da crise econômica e financeira, “a meta de reduzir pela metade a proporção de pessoas vivendo na extrema pobreza ainda pode ser alcançada em diversas regiões em desenvolvimento”.

sábado, 17 de abril de 2010

Ministro do Planejamento de FHC durante leilão de companhia elétrica - 1995 -

A “privatização do setor” – os brasileiros não esquecem – conduziria o Brasil ao Apagão, no glorioso segundo mandato de FHC.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Veríssimo: O patrono ( Henry Ford e a ascensão da Classe C no Brasil Hoje)

Um estudo recente encomendado pelo banco BNP Paribas, francês e insuspeito, mostrou que nos últimos cinco anos a classe C brasileira cresceu e aumentou sua renda mais do que as classes A/B, enquanto que as classes D/E (não falam nas classes abaixo destas, que, no Brasil, como se sabe, chegam até às J/K) diminuíram de tamanho. Interpretações e reparos à vontade e ao gosto político de cada um, mas o inegável nos números é que houve ascensão social e está havendo distribuição de renda.

Com bolsas anti-fome, suspensão de impostos, piques de empregos formais, pacs e repacs e trancos e barrancos o governo está inserindo cada vez mais gente na vida econômica do pais - enquanto consola os de cima com favores também inéditos para o capital financeiro.

O que deve interessar a todo o mundo é que esta se criando uma coisa que até agora não existia no Brasil, um grande mercado consumidor interno. E o patrono desta transformação não é Karl Marx, é Henry Ford.

Ironia. Henry Ford, em matéria de política, era um reacionário execrável. Sua companhia tornou-se um exemplo de cupidez empresarial um pouco acima do normal. Uma das histórias pouco comentadas da Segunda Guerra Mundial é que a guerra já corria solta e o anti-semita Ford continuava fazendo negócios com a Alemanha nazista.

E não é preciso ir tão longe: foi notória a colaboração da Ford com a última ditadura militar na Argentina para proteger seus interesses e a ajuda da Ford e outras multinacionais estrangeiras à Operação Bandeirante, força auxiliar da repressão formada por empresários paulistas no Brasil dos anos cinzentos. Isso em contraste com a atividade - louvável - da Fundação Ford nos campos da educação e da cultura no continente.

Mas Henry Ford ficou na história porque criou o fordismo, um método revolucionário de produção de carros em série que mudou para sempre os costumes e a paisagem da América. E porque pagava bem os funcionário da sua linha de montagem, raciocinando que de nada adiantava inundar o país de carros sem um mercado de massa para comprá-los.

Ford e o fordismo não foram os únicos responsáveis pela industrialização acelerada dos Estados Unidos a partir dos anos vinte, claro, nem os empregados bem pagos da Ford foram os únicos protótipos da classe C consumidora que sustenta o capitalismo americano até hoje.

Mas o fordismo teve efeitos colaterais importantes. Propiciou o aparecimento de um movimento sindical forte, e consequentes vantagens iguais para outros trabalhadores. Democratizou o acesso a bens antes exclusivos de uma minoria. E ficou como exemplo de racionalidade econômica a ser seguida. No caso do Brasil dos últimos cinco anos, um pouco tarde.

Como a Globo pode perder o monopólio do futebol

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador

Nos cadernos de “Esporte” dos jornais, e nos sites e blogs especializados em futebol, duas notícias ganharam destaque essa semana: 1) a possibilidade de a Fifa vetar o estádio do Morumbi como sede para a Copa de 2014 (foi um “furo” do Estadão, depois desmentido — em parte — por outros jornais); 2) a (re)eleição de Fabio Koff para dirigir o Clube dos 13 (que reúne os maiores clubes de futebol do Brasil).



Quem não acompanha futebol de perto, a essa altura, já deve ter aberto um sonolento bocejo: “Ah, isso é papo pra mesa redonda, domingo à noite”. Engano. As duas notícias estão ligadas, e são a face aparente de uma batalha — milionária e silenciosa — travada nos bastidores do esporte mais popular do Brasil.

Acompanhar essa batalha é tão importante quanto — por exemplo — saber detalhes sobre a fusão do Pão de Açúcar com as Casas Bahia. Ou discutir se o governo vai dar (mais) dinheiro para gigantes da telefonia.

Vamos por partes.

O Clube dos 13 é quem negocia os direitos de transmissão dos jogos na TV. Atualmente, a Globo é a dona do futebol no Brasil. Pagou, aproximadamente, R$ 1,5 bilhão por três anos de exclusividade na transmissão (e repassou à Band parte dos direitos).

Vários clubes acham que o valor é baixo. Mas outros tantos clubes estão de joelhos: endividados, vivem dos adiantamentos (pelos direitos de transmissão) que a Globo oferece.

Quem conhece de perto esse mercado, concorda: a Globo paga pouco para ser a dona do futebol no Brasil.

Um grupo de dirigentes resolveu peitar a Globo e sua aliada CBF. O confronto não é aberto. É uma guerra de bastidores. Esse grupo (liderado, entre outros, pela diretoria do São Paulo F. C.) decidiu apoiar Fabio Koff para mais um mandato na presidência do Clube dos 13.

Essa turma calcula que, no próximo triênio (2012/2013/2014), o “pacote do futebol” deveria ser vendida pelo dobro: R$ 3 bilhões!

A Globo e a CBF não gostaram disso. Para enfrentar Koff, lançaram o ex-presidente do Flamengo Kleber Leite.

Nessa história, claro, ninguém é bonzinho, e nem é possível ser muito esquemático — mas as forças estão assim divididas: Globo/CBF/Kleber Leite x Fabio Koff/principais lideranças do Clube dos 13.

A Globo e a CBF perderam.

Acredita-se que isso abre a chance de negociações mais amplas para transmissão do futebol. A Globo pode perder o monopólio. Há pelo menos uma chance. A Record já lançou um comunicado sobre o fato.

E o que isso tudo tem a ver com a notícia de que o Morumbi não vai mais ser a sede paulista da Copa?

Conversei com três jornalistas que acompanham muito de perto os bastidores do esporte, e os três me garantiram que a fonte da tal matéria do Estadão seria o poderoso dueto carioca que saiu derrotado na eleição do Clube dos 13. Seria uma vingança contra o São Paulo F.C. — que fez campanha aberta por Koff, e é um dos clubes que comandam o movimento pela majoração do “pacote futebol”.

Quem diz isso é ese blogueiro que — vocês sabem — não tem smpatia nenhuma pelo time do Morumbi. Mas esses são os fatos. Ou, ao menos, as versões que circulam nos bastidores do futebol.

Será que a CBF pode mesmo fazer campanha contra o Morumbi junto à Fifa? Como vingança? Ou mandou só um recado ao time do Morumbi?

A Fifa, oficialmente, nega que tenha vetado o estádio sãopaulino como sede da Copa.

Acompanhar essa história é importante.

O cenário, hoje, é menos favorável para a Globo. Não quer dizer que a emissora carioca deixará de transmitir futebol. Seria ingenuidade pensar nisso. Mas, talvez, a emissora dos Marinho tenha que entregar uma fatia do mercado para as concorrentes.

Se o novo Clube dos 13 insistir no pacote de R$ 3 bilhões, calcula-se que a Globo sozinha não teria como bancar o negócio.

Os clubes poderiam fatiar as transmissões, entregando algumas para a Globo, e outras para quem oferecer a melhor proposta. Isso em dias e horários diferentes ao longo da semana...

O tripé da Globo é futebol/novela/notícia. Esse tripé corre risco de ficar manco. Se a Globo perder uma fatia do futebol, perderá força, dinheiro e poder. Seria saudável para o público, para os clubes (que teriam opções para negociar), para o mercado publicitário (que não ficaria refém de um grupo), e para a democracia (com menos poder concentrado na mão de uma única família).

Essa seria a regra, num país mais civilizado.

Mas aqui — onde os capitalistas fazem simpósios para defender a liberdade, mas adoram um acerto cartorial pelo alto — tudo pode acontecer!

E esse “tudo pode acontecer” — sim — seria perfeito numa mesa redonda domingo à noite! Um dia eu chego lá...

terça-feira, 13 de abril de 2010

James Cameron, go home !

A província de São Paulo ofereceu ao derrotado do último Oscar, James Cameron, uma triunfal recepção na casa de Nizan Guanaes, o publicitário de Fernando Henrique e Serra.
Cameron é contra a usina de Belo Monte.
E eu sou contra o Avatar.
Zero a zero.
Cameron é 1001º. americano sem emprego que vem para cá fazer marketing com a Amazônia.
Por que ele não vai defender a floresta destruída do Pacific Northwest ?
Por que ele não vai protestar com a abertura do Leste americano à exploração de petróleo ?
Por que ele não vai defender a construção de usinas de energia nos Estados Unidos, que, segundo o presidente Obama, estão à beira de um colapso de infra-estrutura ?
Segundo a colona (*) que o Otavinho publica na “Mônica Bergamo”, na seção “Ilustrada” da Folha (**), Cameron quer ser recebido pelo Lula.
Para quê ?
O que ele tem a dizer ao Lula ?
O que ele tem a declarar aos brasileiros em geral (aos que estão fora da província, é claro) ?
Quanto ao anfitrião Nizan Guanaes, ele não é exatamente uma autoridade em energia elétrica.
Ele, que ganhou muito dinheiro no Governo do Farol de Alexandria (que provocou um racionamento de energia de oito meses e tirou três pontos percentuais do PIB).
Nizan ganhou muito dinheiro com uma campanha publicitária em que o Farol dizia que o consumidor é que tinha provocado o apagão.
Um gênio.
Ou melhor, uns gênios !
Paulo Henrique Amorim

sábado, 10 de abril de 2010

Ensaio: O descarte socialmente aceitável

Quando uma calamidade pública assombra uma cidade ou até mesmo uma nação inteira, alterando sua organização social estabelecida - causando transtornos diversos até o desenrolar máximo que é a morte – percebemos, logo assim que se restabelece uma ordem mínina sobre o caos, o surgir da solidariedade.
Esta, com mantimentos de diversos gêneros, desde higiene pessoal ao básico e elementar do matar a fome. Bem, doamos aos que tinham, mas perderam, pois consideramos que “poderia ter sido eu”. A pena, motivadora desde por alguns, por outros, fatores religiosos: melhorar o “Karma”, “Garlaldão” ou até “elevar sua espiritualidade” se faz presente. Porém, muitos, maioria talvez, seja para ter sua consciência limpa ante ao consumo desenfreado que vivemos, “alguns vivemos”. Creio que o doar, por vezes, seja assim, pura e simples, consciência limpa. Vejamos que doamos o que não nos serve mais, ou pelo menos o que não iremos mais consumir. Por isso, divago sobre o consumo da solidariedade do descarte socialmente aceitável, na afirmação que doamos aos que “tinham”, aos que “nunca tiveram”, estes não nos importamos. Ou seja, nos solidarizamos aos que outrora “tinham”, na idéia do “poderia ter sido eu”, esquecendo dos que nunca “tiveram”, e mesmo assim doando o que não iríamos mais usar, ou não iríamos consumir.
Constato isso, hoje em Niterói, nos diversos “Morros dos Bumbas” que ocorreram em várias áreas de nosso município, quando não mais se arrecada roupas velhas, usadas. Somente alimentos, que não podemos descartar como usado, por questões tróficas. No máximo, doar o que não iremos consumir. Hoje em diversos postos de arrecadação em suas portas havia – Não precisamos mais de roupas, somente alimentos. Bem, em uma sociedade baseada no consumo, nos sobra “roupas” descartáveis do consumo do novo, repassadas como descarte socialmente aceitável aos que um dia tiveram, hoje não mais tendo, por questões de calamidade.
Não refuto a solidariedade, sem esta, os que tiveram, mas que hoje não mais tem do “poderia ter sido eu” não teriam o que vestir e comer, mas devemos nos ater, também, aos que nunca “tiveram”, esquecidos todos os dias -nem lembrados são nas catástrofes- pois nunca tiveram nada. Sobram roupas usadas, descartadas pelo socialmente aceitável – aos que “tiveram”- e faltam, alimentos- de todos os dias – aos que “nunca tiveram”.
Rafael dos Santos Brasil Cal

quinta-feira, 8 de abril de 2010

Algo de podre no Jornal Nacional, dia 8/04/2010

O Jornal Nacional da TV Globo, ressuscitou seus urubus e carcarás para explorar politicamente tragédias com mortes, exatamente como fez quando houve o acidente com o avião da TAM.

Em vez de trazer informações valiosas para o cidadão do Rio de Janeiro, neste momento de angústia, pinça um relatório do TCU, dizendo que, entre 2004 e 2009, o Ministério da Integração Nacional aplicou R$ 358 milhões em prevenção de desastres naturais, sendo que a Bahia ficou com a maior parte, 37%. São Paulo recebeu menos de 9% e o Rio de Janeiro, 0,65%.

Esses números seriam de revoltar qualquer fluminense e carioca, se expressasse o total da verdade. Mas eu me lembro muito bem que o presidente Lula assinou diversas Medidas Provisórias, liberando verbas emergenciais de valor muito superior a estes R$ 358 milhões, devido a desastres, para:

- o Estado de Santa Catarina quando sofreu com as chuvas de 2008;

- para os Estados do Piauí, Maranhão e Ceará, no ano passado;
Luís Nassif

- para o próprio Rio de Janeiro, em janeiro deste ano, quando diversas cidades da Baixada Fluminense e Angra dos Reis sofreram com as chuvas;

- para cidades de São Paulo também, devido ao estado de calamidade no período do alagão.

Obviamente que muita verba usada para reconstrução, funciona também como verba de prevenção, uma vez que, em geral, não se reconstrói erros do passado. Ninguém vai reconstruir moradias em áreas de risco que desabou.

Além disso, obras do PAC de reurbanização de favelas, como as feitas no Complexo do Alemão, no Pavão-Pavãozinho-Cantagalo, na Rocinha, Dona Marta e em Manguinhos, tirou muita gente da situação de risco, seja em encostas, seja em beira de rios e córregos. Junte-se a isto o programa “Minha Casa, Minha Vida” que também está oferecendo residência a quem vivia precariamente, em áreas de risco.

Enfim, isso dá para lembrar de cabeça, sem fazer levantamentos apurados nos sistemas e no orçamento da União.

Por que o telespectador brasileiro não tem o direito de saber a verdade como ela é, sem essa manipulação de números
pinçados?

A tragédia no Rio: Por que o Globo e o jn pegaram pesado

Todas as reportagens do jn eram iguais.
Todas as passagens de repórter eram iguais.
Transformaram um jornal “nacional” em flash local: esquina tal com rua tal; amanhã não tem aula…
As imagens de internautas do G1 não tinham uma única informação que acrescentasse à dos cinegrafistas.
O texto dos apresentadores e repórteres, de mediocridade abissal.
Nenhum personagem comovente, nenhuma história de emocionar.
A única emoção era a dos apresentadores, que exibiam o ricto de quem vai ao velório da vizinha.
Por que 99,99% do tempo foi para a tragédia ?
Primeiro, para desmoralizar o Rio, ainda mais que o Presidente Lula estava lá.
O governador do Rio é aliado de Lula e quanto mais o Rio apanhar, melhor.
Quanto mais bater no Rio, melhor, porque os filhos do Roberto Marinho – eles não têm nome próprio – só descansarão quando o Carlos Lacerda voltar a governar o Rio.
Segundo, para livrar a cara do Serra, o Zé Alagão.
Se a tragédia do Rio for a PIOR, o Alagão estará absolvido.
A Dilma não vai poder falar do Jardim Romano, a Katrina do Serra.
(Quem deixou construir o CEU e os prédios de apartamentos na área alagada do Jardim Romano ? Quem era o prefeito ?)
Tragédia por tragédia, viva a do Rio !
Se no alagão do Zé Alagão, o jn dedicasse metade do tempo que dedicou à tragédia do Rio, os filhos do Roberto Marinho demitiam o Ali Kamel.
O jn é assim.
Na hora da tragédia, ele não falha.
Pense, amigo navegante, quando o Brizola foi eleito governador e o golpe da Proconsult.
O jn estava lá.
Paulo Henique amorim
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29534

Secretário de Niterói enfia o Lula pela goela abaixo da Globo

Estava o Bom (?) Dia Brasil a desfiar a arenga que escondeu no alagão de São Paulo.
(Entenda por que a Globo e o Globo pegam pesado com o Rio e pegam leve com a chuva de São Paulo )
Aí, o Bom (?) Dia cai na asneira de entrevistar o Secretário de Obras de Niterói, José Mocarzel.
Foi um mau passo do Renato Machado, notável enólogo tropical.
Diz o Mocarzel que não acredita em político que passa a mão na cabeça de quem constrói barraco em área de risco.
(Qual foi o prefeito de São Paulo que deixou construir no Jardim Romano, o Katrina do Serra ?)
Diz o Mocarzel que é preciso haver um trabalho federal, estadual e municipal para enfrentar a questão de onde os pobres devem morar.
E, aí, se deu a tragédia.
O Ali Kamel será implacável.
O Mocarzel disse que a única política realmente séria para enfrentar o problema da habitação popular é o programa Minha Casa Minha Vida do presidente Lula.
E falou o nome do presidente Lula.
Que horror !
O Renato vai tomar um vinho avinagrado hoje, no jantar.
Em tempo: por que a Eliane Cantanhêde não pergunta cadê o Sérgio ? Por que ela não perguntou cadê o Serra, quando o Jardim Romano alagou ? O Sérgio, o Lula, o Paes – está todo mundo lá, Eliane. Eles deram a cara para bater. E o Serra, foi ao Jardim Romano ?
Em tempo 2: amigo navegante Mauricio viu ontem a urubóloga Miriam Leitão transformar-se em Garota do Tempo no Bom Dia (?) Brasil. Será que ela quer o lugar da Rosana Jatobá no jn ? A Previsão meteorológica no Brasil corre o sério risco de se transformar num instrumento do Golpe contra o Lula.
Paulo Herique amorim
http://www.paulohenriqueamorim.com.br/?p=29569

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Uma vitória parcial do Brasil no duelo comercial com os EUA

O Brasil obteve uma primeira vitória na peleja comercial com os Estados Unidos, que se comprometeram formalmente a reduzir os subsídios ilegais aos produtores de algodão e compensar os exportadores brasileiros prejudicados pelo protecionismo agrícola do império. A proposta, apresentada segunda-feira (7) levou o governo Lula a suspender as retaliações de mais de US$ 800 bilhões autorizadas pela Organização Mundial do Comércio (OMC), que passariam a vigorar a partir de quarta-feira (8).

O recuo de Washington foi fruto da pressão exercida nos últimos dias pelo governo Lula e do anúncio da lista dos setores que seriam atingidos. Na opinião do diretor do Departamento Comercial do Itamaraty, Carlos Márcio Cozendey, “foi uma negociação muito positiva”. As sanções foram suspensas até junho, quando os dois países devem chegar a um acordo definitivo, mas se o impasse não for contornado elas serão aplicadas.

Terrorismo bizarro

Setores das classes dominantes brasileiras, ainda dominados por um espírito arcaico e atávico de servilismo diante da maior potência capitalista do planeta e saudasos da diplomacia dos pés descalços praticada no governo FHC, criticaram o governo pela decisão de retaliar. As Organizações Globo, da família Marinho, chegaram a promover um terrorismo bizarro e, no final, se revelaram mais realista do que o próprio Rei. Previram o aumento do preço do pãozinho, sugeriram que o Brasil estava a caminho de uma guerra comercial com os EUA e anunciaram "contra-retaliações" do império.

Os fatos indicam que a conduta altiva e soberana do Itamraty, com o respaldo da OMC, foi fundamental para o recuo norte-americano. O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, demonstrou satisfação com a “nova atitude” da missão estadunidense. Os EUA se comprometeram a interromper a concessão de subsídios em seu programa de garantia de créditos à exportação, já nos próximos 15 dias, e negociar com o Brasil a diminuição do valor de tais benefícios. O programa, conhecido como GSM-102, abrange vários produtos agrícolas e tem orçamento de US$ 5,5 bilhões neste ano.

Para compensar a demora na eliminação dos subsídios ilegais, os norte-americanos prometem acelerar as autorizações sanitárias para importação de carnes bovina e suína do Brasil e destinar US$ 147,3 milhões anuais ao financiamento de programas de apoio aos produtores de algodão, com transferência de tecnologia, combate a pragas e até projetos de cooperação com produtores africanos de algodão prejudicados pelo protecionismo.

Segundo explicou a secretária-executiva da Câmara de Comércio Exterior (Camex), Lytha Spíndola, o governo suspenderá até o dia 21 as sanções (aumento de tarifas de importação) já anunciadas contra 102 produtos americanos, de automóveis a trigo. O prazo servirá para permitir que os americanos, de fato, suspendam o GSM-102, criem o novo fundo, emitam certificado liberando importação de carne suína e assegurem que a carne bovina de Santa Catarina é livre de febre aftosa sem vacina.

Determinações da OMC

Se confirmadas essas medidas, começará um prazo de 60 dias para que negociadores dos EUA e do Brasil cheguem a um acordo sobre a determinação da OMC, de eliminação dos subsídios concedidos ilegalmente. " Foi bem positivo, porque há o compromisso em pedir ao Congresso o fim dos subsídios na próxima lei agrícola americana, em 2012, e compensações pelos subsídios concedidos até lá " , disse o presidente da Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), Haroldo Cunha.

Na prática, porém, o governo americano não pôde dar certeza sobre a decisão do Congresso, mas se comprometeu a usar os 60 dias de negociações para buscar "soluções satisfatórias". O ministro-chefe do Itamaraty alertou que é preciso avançar no sentido de concretizar as recomendações da Organização Mundial do Comércio, que preconiza a extinção dos subsídios.

"Qualquer entendimento aquém da plena implementação das determinações da OMC será, por definição, temporário", alertou Celso Amorim. "Essa implementação plena envolverá ações complexas tanto do Executivo, quanto do Legislativo americanos. Um conjunto de procedimentos que ofereça condições adequadas, ainda que temporárias, será, de qualquer forma, bem-vindo."

Segundo Cozendey, a suspensão das sanções pode ser prorrogada, dependendo do resultado das negociações, mas o governo não desistiu de aplicar a retaliação contra os EUA caso considere que permanece o desrespeito às determinações da OMC. Ontem, terminou o prazo de consulta pública para manifestações sobre a chamada retaliação cruzada, a determinação brasileira de criar sanções também em propriedade intelectual, como taxas sobre remessa de royalties e suspensão dos direitos assegurados por patentes. Uma comissão técnica avaliará as sugestões e deixará pronta uma lista de sanções também nessa área.
portal vermelho

terça-feira, 6 de abril de 2010

Como funciona o jornalismo da Tv Globo!! cuidado! Eles mentem!

Em 2005 e 2006 eu era repórter especial da TV Globo. Tinha salário de executivo de multinacional. Trabalhei na cobertura da crise política envolvendo o governo Lula.

Fui a Goiânia, onde investiguei com uma equipe da emissora o caixa dois do PT no pleito local. Obtivemos as provas necessárias e as reportagens foram ao ar no Jornal Nacional. O assunto morreu mais tarde, quando atingiu o Congresso e descobriu-se que as mesmas fontes financiadoras do PT goiano também tinham irrigado os cofres de outros partidos. Ou seja, a “crise” tornou-se inconveniente.

Mais tarde, já em 2006, houve um pequena revolta de profissionais da Globo paulista contra a cobertura política que atacava o PT mas poupava o PSDB. Mais tarde, alguns dos colegas sairam da emissora, outros ficaram. Na época, como resultado de um encontro interno ficou decidido que deixaríamos de fazer uma cobertura seletiva das capas das revistas semanais.

Funciona assim: a Globo escolhe algumas capas para repercutir, mas esconde outras. Curiosamente e coincidentemente, as capas repercutidas trazem ataques ao governo e ao PT. As capas “esquecidas” podem causar embaraço ao PSDB ou ao DEM. Aquela capa da Caros Amigos sobre o filho que Fernando Henrique Cardoso exilou na Europa, por exemplo, jamais atenderia aos critérios de Ali Kamel, que exerce sobre os profissionais da emissora a mesma vigilância que o cardeal Ratzinger dedicava aos “insubordinados”.

Aquela capa da Caros Amigos, como vimos estava factualmente correta. O filho de FHC só foi “assumido” quando ele estava longe do poder. Já a capa da Veja sobre os dólares de Fidel Castro para a campanha de Lula mereceu cobertura no Jornal Nacional de sábado, ainda que a denúncia nunca tenha sido comprovada.

Como eu dizia, aos sábados, o Jornal Nacional repercute acriticamente as capas da Veja que trazem denúncias contra o governo Lula e aliados. É o que se chama no meio de “dar pernas” a um assunto, garantir que ele continue repercutindo nos dias seguintes.

Pois bem, no episódio que já narrei aqui no blog, eu fui encarregado de fazer uma reportagem sobre as ambulâncias superfaturadas compradas pelo governo quando José Serra era ministro da Saúde no governo FHC. Havia, em todo o texto, um número embaraçoso para Serra, que concorria ao governo paulista: a maioria das ambulâncias superfaturadas foi comprada quando ele era ministro.

Ainda assim, os chefes da Globo paulista garantiram que a reportagem iria ao ar. Sábado, nada. Segunda, nada. Aparentemente, alguém no Rio decidiu engavetar o assunto. E é essa a base do que tenho denunciado continuamente neste blog: alguns escândalos valem mais que outros, algumas denúncias valem mais que outras, os recursos humanos e técnicos da emissora — vastos, aliás — acabam mobilizados em defesa de certos interesses e para atacar outros.

Nesta campanha eleitoral já tem sido assim: a seletividade nas capas repercutidas foi retomada recentemente, quando a revista Veja fez denúncias contra o tesoureiro do PT. Um colega, ex-Globo, me encontrou e disse: “A fórmula é a mesma. Parece reprise”.

Ou seja, podemos esperar mais do mesmo:

– Sob o argumento de que a emissora está concedendo “tempo igual aos candidatos”, se esconde uma armadilha, no conteúdo do que é dito ou no assunto que é escolhido. Frequentemente, em 2006, era assim: repercutindo um assunto determinado pela chefia, a Globo ouvia três candidatos atacando o governo (Geraldo Alckmin, Heloisa Helena e Cristovam Buarque) e Lula ou um assessor defendendo. Ou seja, era um minuto e meio de ataques e 50 segundos de contraditório.

– O Bom Dia Brasil é reservado a tentar definir a agenda do dia, com ampla liberdade aos comentaristas para trazer à tona assuntos que em tese favorecem um candidato em detrimento de outro.

– O Jornal da Globo se volta para alimentar a tropa, recorrendo a um grupo de “especialistas” cuja origem torna os comentários previsíveis.

– Mensagens políticas invadem os programas de entretenimento, como quando Alexandre Garcia foi para o sofá de Ana Maria Braga ou convidados aos quais a emissora paga favores acabam “entrevistados” no programa do Jô.

A diferença é que, graças a ex-profissionais da Globo como Rodrigo Vianna, Marco Aurélio Mello e outros, hoje milhares de telespectadores e internautas se tornaram fiscais dos métodos que Ali Kamel implantou no jornalismo da emissora. Ele acha que consegue enganar alguém ao distorcer, deturpar e omitir.

É mais do mesmo, com um gostinho de repeteco no ar. A história se repete, agora com gostinho de farsa.

Querem tirar a prova? Busquem no site do Jornal Nacional daquele período quantas capas da Veja ou da Época foram repercutidas no sábado. Copiem as capas das revistas que foram repercutidas. Confiram o conteúdo das capas e das denúncias. Depois, me digam o que vocês encontraram.
Luiz carlos azenha

domingo, 4 de abril de 2010

Agricultura familiar sustenta 30 milhões no campo

A agricultura familiar é responsável pelo sustento dos 30 milhões de brasileiros que vivem em ocupações rurais. No entanto, há, entre eles, um baixo nível de educação e a remuneração média é menor do que o salário mínimo. Boa parte (75%) do contingente de trabalhadores não remunerados é composta por mulheres.

A constatação é do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), que tem por base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada na última quinta-feira (1/4), no capítulo sobre o setor rural. A publicação é uma descrição da situação rural do país, que deverá ser utilizada para a formatação de políticas públicas no Brasil.

De acordo com a pesquisa, 43% da população rural não é remunerada. “A população rural é estimada em 30 milhões de habitantes. Isso corresponde a pouco mais de 16% da população brasileira. É maior do que a população de muitos países do mundo, mas que, por uma falha histórica do Estado, acaba ficando sem qualquer tipo de vínculo trabalhista, direitos e garantias sociais ou qualquer acesso a bens e serviços”, explica a coordenadora de área de Desenvolvimento Rural do Ipea, Brancolina Ferreira.

A baixa qualidade da educação prejudica sensivelmente a qualidade de vida da população rural e o desempenho da agricultura familiar como um todo, “tanto em termos de produção, acesso e uso de novas tecnologias, como por não dar a eles conhecimentos sobre como reivindicar o que precisam”, avalia a pesquisadora.

As mulheres, segundo a pesquisadora, constituem um grande contingente (75%) dos trabalhadores não remunerados que fazem parte da população economicamente ativa. “São mais de 4 milhões de mulheres e pouco mais de 2 milhões de homens nessa situação”, informou Brancolina.

Segundo ela, a alta concentração de terras no Brasil é um dos causadores dos problemas vividos pela população rural. “Os dados deixam claro que a terra continua concentrada nas mãos de poucos, e que as formas de acesso a ela são ainda provisórias e precárias”, disse a pesquisadora.

Fonte: Agência Brasil

sábado, 3 de abril de 2010

Acordo de livre comércio entre Mercosul e Israel entra em vigor neste domingo

partir de amanhã (4), Israel torna-se oficialmente o primeiro país fora do território sul-americano a ter acordo de livre comércio com o Mercosul, formado pelo Brasil, pela Argentina, pelo Uruguai e Paraguai. A entrada em vigor das relações comerciais entre Israel e o bloco econômico encerra longo processo de negociação iniciado em 2005.



No último dia 15 de março, durante visita a Israel, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou formalmente o início das relações comerciais entre o país e o bloco econômico.

Até o anúncio de Lula, apenas o Uruguai havia autorizado o comércio entre Israel e o Mercosul. No entanto, segundo legislação específica do bloco, a partir da autorização brasileira, o tratado passa a valer.

Os últimos detalhes para viabilizar o acordo foram resolvidos pelo secretário de Comércio Exterior, do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Welber Barral, quando esteve em Israel no início do mês de março deste ano.

O secretário disse à "Agência Brasil" que o seu principal trabalho foi acertar questões burocráticas relacionadas à classificação de produtos e mercadorias da lista de comércio entre Israel e Mercosul, além de definir acertos tarifários que permitirão agilizar os procedimentos de exportação e importação.

O tratado Israel/Mercosul também viabiliza a ampliação do comércio entre o país e o Brasil, principalmente nos setores farmacêutico, aeroespacial, de pesquisas agrícolas e tecnologia