A semana que passou foi marcada pelo desastre de proporções impressionantes na Zona da Mata de Pernambuco e Alagoas, tragédia que, infelizmente, se repete. Exatamente. Não foi a primeira vez que cidades às margens dos rios Mundaú, Canhoto e Paraíba acabaram arrasadas pela força das águas. Em 14 de março de 1969, a pequena cidade alagoana de São José da Lage foi destruída por uma enchente relâmpago do rio Canhoto. O noticiário relatou à época mais de mil mortos. Foram centenas de pessoas arrastadas e afogadas.
segunda-feira, 28 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
Emprego: maior da história no Brasil, menor no mundo
Hoje, o desemprego no mundo é o maior registrado na história”. A frase é de Ban Ki-moon, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), que anunciou que a cifra de desempregados no mundo chegou à maior marca de todos os tempos, chegando a 211 milhões de pessoas, enquanto a geração de postos de trabalho manteve-se estagnada há mais de dez anos.
O relatório (aqui, no Terra, em espanhol) diz que, se durante 1998, no mundo em desenvolvimento, para cada 100 pessoas, havia 63 postos de trabalho, em 2008 e 2009 o número foi reduzido para 62. Esta “pequena mudança”, em escala mundial, significa, em relaçao a população total, dezenas de milhões de desempregados.
Na América Latina, onde o Brasil tem grande peso, a relação emprego / população cresceu para 61% em 2008, em comparação com 58% em 1998. Em em 2009, com a crise, isso se reduziu, mas em 1 ponto percentual.
Daquela época para cá, a derrota política dos governos neoliberais no continente foi o que provocou esta queda.
A ONU destacou alguns avanços na América Latina, como a porcentagem da populaçãoque vive enfavelas, que se reduziu de 34 por iento en 1990 para 24% em 2010. Destacou, ainda, que aqui houve avanço na taxa de mortalidade materno-infantil e avanços na igualdade de gêneros.
Enquanto a ONU registra esta crise mundial, a criação de empregos é recorde no Brasil.
Mas isso não sensibiliza a mídia, porque quase ninguém publicou isso.
fonte Tijolaço!
quarta-feira, 23 de junho de 2010
Pimentão e uva são os mais contaminados por agrotóxicos irregulares
Pesquisa divulgada nesta quarta (23) pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) revela que 80% das amostras coletadas de pimentão contêm agrotóxicos não autorizados, em razão de serem proibidos no país ou por causa do uso excessivo. Em seguida, completam a lista das culturas que mais carregam produtos tóxicos a uva - 56% das amostras apresentam irregularidades -, o pepino (55%) e o morango (51%).
O estudo apontou para um dado preocupante. Das 3.130 amostras coletadas, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade. A batata foi a cultura que apresentou o melhor resultado, com apenas 1,2% de contaminação das amostras analisadas. Elevados graus de toxicidade podem causar problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.
Segundo o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, a pesquisa detectou três tipos de problemas: aplicação de agrotóxicos autorizados no país, mas não adequados para determinadas culturas; quantidade acima do limite tolerável e uso de produtos tóxicos proibidos.
- O programa não existe para condenar o produtor, mas sim para verificar o quanto o produtor observa as regras de utilização de agrotóxicos no Brasil. Os riscos, tanto para o trabalhador agrícola, quanto para o consumidor, são calculáveis.
O estudo apontou para um dado preocupante. Das 3.130 amostras coletadas, 29% apresentaram algum tipo de irregularidade. A batata foi a cultura que apresentou o melhor resultado, com apenas 1,2% de contaminação das amostras analisadas. Elevados graus de toxicidade podem causar problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer.
Segundo o diretor da Anvisa, Dirceu Barbano, a pesquisa detectou três tipos de problemas: aplicação de agrotóxicos autorizados no país, mas não adequados para determinadas culturas; quantidade acima do limite tolerável e uso de produtos tóxicos proibidos.
- O programa não existe para condenar o produtor, mas sim para verificar o quanto o produtor observa as regras de utilização de agrotóxicos no Brasil. Os riscos, tanto para o trabalhador agrícola, quanto para o consumidor, são calculáveis.
Ele diz que, acima de tudo, a Anvisa conta com a sensibilidade dos produtores rurais. Cabe à agência, depois de feita a pesquisa, relatar os problemas encontrados para o Ministério da Agricultura, que toma as providencias de fiscalização e punição.
Cuidados na hora de consumir
A Anvisa aponta cuidados importantes na hora de escolher o alimento. O consumidor deve optar por produtos com origem identificada, escolher produtos da época e optar por alimentos orgânicos, pois utilizam menos produtos químicos. Na hora da lavagem, deve-se retirar as folhas externas de verduras e usar água corrente e sabão em abundância.
Cuidados na hora de consumir
A Anvisa aponta cuidados importantes na hora de escolher o alimento. O consumidor deve optar por produtos com origem identificada, escolher produtos da época e optar por alimentos orgânicos, pois utilizam menos produtos químicos. Na hora da lavagem, deve-se retirar as folhas externas de verduras e usar água corrente e sabão em abundância.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
Pesquisa: 57,3% diz que notícias veiculadas nos jornais são tendenciosas
Estudo encomendado pelo governo aponta também que o uso da internet para obtenção de informações vem se consolidando no País
Pesquisa encomendada pela Secretaria de Comunicação (Secom) da Presidência da República aponta que os jornais impressos são lidos por 46,1% dos brasileiros, enquanto as revistas são consumidas por 34,9% da população.
Já a televisão e o rádio são os meios de comunicação mais utilizados pelas pessoas para obter informações. De acordo com o levantamento, 96,6% dos entrevistados assistem TV, enquanto o rádio é utilizado por 80,3%. Os jornais seguem na terceira posição entre os veículos mais procurados, enquanto o uso da internet tem se ampliado.
Entre os que afirmaram ler jornais, 24,7% o fazem diariamente. Os que leem apenas uma vez por semana somaram 30,4%. "Dos leitores de jornais, 42,3% consideram o domingo o dia mais importante da semana para se ler jornal, enquanto que outros 30,6% apontaram como dia mais importante de leitura a segunda-feira", explicam os coordenadores do trabalho.
A pesquisa "Hábitos de Informação e Formação de Opinião da População Brasileira" foi feita pela empresa Meta, a pedido do Palácio do Planalto, para ajudar na "orientação dos esforços de comunicação do governo". O levantamento ocorreu entre os dias 31 de janeiro e 5 de fevereiro, quando foram ouvidas 12 mil pessoas em 539 cidades no País. A Meta é um instituto de pesquisa criado em 1991 em Porto Alegre (RS) e é dirigida por Flávio Eduardo Silveira. O instituto já fez outros levantamentos para a Secom.
Internet. O uso da internet também vem se consolidando no País. Os dados apontam que 46,1% da população costuma acessar a rede de computadores. Desse total, 66,5% possuem acesso em casa. A banda larga via cabo é o tipo de conexão mais usada entre esses internautas.
O acesso à rede mundial de computadores está diretamente associado à renda. Entre as famílias com rendimento superior a 10 salários mínimos, o porcentual de uso é de 79,9%.
Mas a internet ainda está muito associada ao lazer. Apenas 24,8% das pessoas que acessam a rede o fazem para buscar informações. Entre os internautas, 47,7% costumam ler jornais, blogs ou notícias pela rede.
Além de dominar a preferência dos brasileiros, a televisão também lidera o ranking dos veículos com maior credibilidade no País.
De acordo com a pesquisa, a TV aberta é apontada por 69,4% dos entrevistados como o meio de comunicação mais confiável, seguida pelo rádio (7,2%), internet (6,5%) e jornal impresso (6,3%).
A pesquisa encomendada pelo governo mostra ainda que o poder de influência dos meios de comunicação é relevante. Entre os entrevistados, 7,9% afirmaram que "sempre" mudam de ponto de vista de acordo com as informações obtidas, enquanto 62,9% admitiram que isso acontece "às vezes".
Ao mesmo tempo em que exerce influência, a população também considera que a imprensa não faz um trabalho isento e imparcial. Pelo levantamento, 57,3% dos entrevistados consideram que as notícias veiculadas são tendenciosas e parciais, enquanto 24,3% apontam isenção no material produzido.No estado
segunda-feira, 14 de junho de 2010
Não Deixe Seu Sonho Morrer
Por Jim Mathis
Quero falar de um homem que conheci e que chamarei de “Bob, o pintor”. Bob amava visitar museus de arte e decidiu que seria pintor. Estudou a arte dos velhos mestres e aprendeu a copiar o trabalho deles, pincelada por pincelada. Aprendeu também sobre cores e texturas, acabando por tornar-se habilidoso pintor. Seu artista favorito era Vincent Van Gogh e, por isso, decidiu duplicar
suas pinturas. Bob tornou-se muito bom em copiar as obras de Van Gogh, a ponto de fazer réplicas exatas das famosas telas do artista, sem nem mesmo precisar olhar o original.
Bob inscreveu suas pinturas numa feira de arte, mas os juízes simplesmente riram e disseram: “São apenas cópias de Van Gogh. Não é um trabalho original; isto já foi feito.” Ficou triste com as críticas, mas assim mesmo acabou participando da feira, onde encontrou outros tipos inspiradores de novas pinturas, diferentes de tudo quanto vira nos museus. Descobriu também trabalhos de arte maravilhosos em cada canto da feira.
Ele então se sentou pensativo enquanto ouvia as bandas musicais contratadas para animar a feira. A primeira tocou musicas conhecidas que ele já ouvira no rádio muitas vezes. Depois, a banda principal foi chamada para apresentar-se. Tinha a mesma aparência e tocava do mesmo modo que a banda favorita de Bob de 1964. Tocaram grandes sucessos gravados entre 1964 e 1968. Na verdade, a banda da feira de arte fazia um som idêntico ao da banda original.
Bob descobriu que a banda “cover” recebera muito dinheiro para imitar a antiga. Já os pintores e outros artistas tiveram que pagar caro para exibir seus trabalhos. Ficou confuso, imaginando por que seria aceitável copiar certa forma de arte, enquanto copiar outro gênero era inaceitável. Desanimado, decidiu esquecer seus sonhos artísticos e dedicar-se à Contabilidade onde, dizia, os centavos faziam sentido. Já não teria que se preocupar se copiaria a arte dos antigos mestres ou algo novo. Bob morreu nesse dia, embora ainda se passariam 54 anos até que fosse sepultado.
Não pretendo debater aqui se é aceitável copiar uma música, enquanto replicar quadros não o é. A moral desta história é que Bob deixou seu sonho morrer, abandonando o que amava fazer, talvez o que Deus o tivesse chamado a fazer, para fazer algo mais seguro e previsível, que não seria criticado por outras pessoas.
Se Bob tivesse descoberto que Contabilidade fosse sua paixão, sua decisão seria correta. Mas por ter se curvado diante de obstáculos formidáveis, suas aspirações artísticas – quem sabe, sua
grande vocação – jamais chegaram a se concretizar. Depois de se tornar perito em copiar grandes mestres, ele poderia descobrir seu próprio estilo e se tornado um novo Renoir ou Gauguin.
E você? Está perseguindo sua paixão, aquele sonho de vida que faz com que salte da cama todas as manhãs pronto para agarrar as oportunidades que se apresentarem? Ou você está preso no atoleiro de um trabalho longe de ser satisfatório? A Bíblia ensina:“Tudo quanto fizerem, seja em palavra ou em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio d’Ele graças a Deus Pai” (Colossenses 3.17). É muito mais fácil agir assim quando se está fazendo aquilo que se ama!
Próxima semana tem mais!
quarta-feira, 9 de junho de 2010
A verdade: Pq votaram contra o acordo Brasil/Turquia/Irã!!!
Ao ver uma foto no site do New York Times (que reproduzo ao lado) da votação de novas sanções ao Irã no Conselho de Segurança da ONU, me bateu uma estranheza. A foto mostrava quatro embaixadores no momento do voto. O da Turquia, de mãos abaixadas, contrário as sanções, e os dos Estados Unidos, Reino Unido e Uganda levantando a mão em favor da medida. A posição dos EUA e do Reino Unido era conhecida, mas por que razões Uganda votava favoravelmente às sanções?
Aí me lembrei do estudo do site Global Issues, que comentei aqui no último domingo, sobre o que está por trás da ajuda internacional dos países mais ricos. Um dos casos emblemáticos citado no estudo é o do African Growth and Opportunity Act (Agoa), assinado pelos EUA em 2000, que estabelece como condição para um país desfrutar de seus benefícios evitar qualquer ação que possa conflitar com os “interesses estratégicos” norte-americanos.
Uganda foi um dos países africanos que renovou sua elegibilidade como beneficiário do Agoa, em 2009. Gabão e Nigéria, que integram o Conselho de Segurança da ONU ao lado de Uganda, também estão entre os beneficiários do Agoa. Oito países ficaram de fora. No site do Agoa você pode ver as exigencias para receber ajuda dos EUA.
Por conta dessas condições, países africanos que integram o Conselho de Segurança da ONU estão naturalmente pressionados nas votações, já que se votam contra os EUA perdem o privilégio do comércio bilateral.
O chanceler Celso Amorim, em depoimento às comissões de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, disse hoje que é possível que países que votaram a favor das sanções contra o Irã tenham sido pressionados por países mais ricos. “Há nações que são mais frágeis. Quando devíamos ao Fundo Monetário Internacional (FMI) também não podíamos dizer tudo que pensávamos”, afirmou.
O jogo político internacional não é inocente e tudo pode ter entrado nas pressões pelas sanções contra o Irã. O mais negativo da decisão de hoje do Conselho de Segurança foi desperdiçar o acordo feito entre Brasil, Turquia e Irã para a troca de urânio levemente enriquecido por combustível nuclear.
Amanhã, quando os nossos grandes jornais estiverem comemorando o retrocesso no caminho da paz mundial, lembremo-nos de Uganda, do Gabão e da Nigéria. E de como, em nome de três povos pobres, sofridos e necessitados, acabaram entregando seus votos ao mundo dos ricos, premidos pela necessidade.
Brizola Neto.
quarta-feira, 2 de junho de 2010
Ricardo Guedes: pacto social beneficia Dilma
"De 2002 para cá, experimentamos notável progresso. O PIB cresceu de 500 bilhões para 1,5 trilhões de dólares, as reservas cambiais aumentaram de 35 para 240 bilhões de dólares, o salário mínimo foi de 80 para 280 dólares, o índice de GINI – que mede a distribuição de renda – melhorou de 0,58 para 0,52; 30 milhões de pessoas migraram das classes pobres para a classe média; 10,6 milhões de pessoas saíram fisicamente das favelas. O nível de investimento na econômica aumentou. O Brasil adquiriu projeção mundial."
ELEIÇÕES PRESIDENCIAIS 2010: RUPTURA OU CONSOLIDAÇÃO DO PACTO SOCIAL?
Presidential elections 2010: break or consolidation of the social pact?
Ricardo Guedes Ferreira Pinto
Instituto de Pesquisa Sensus
Com a eleição de Lula em 2002, foi formado no Brasil um pacto do tipo social democrata europeu. O pacto social-democrata tem a lógica de formação que se segue. Todo partido de esquerda para chegar ao poder através da via eleitoral, tem que abrir mão da representação da classe de trabalhadores, flexibilizando os seus objetivos. O número de trabalhadores manuais veio crescendo continuamente no século XIX, até se estabilizar a partir de 1920 em 25% da população economicamente ativa em todos os países. Para se fazer maioria em eleições de 2º turno, todo partido de esquerda tem que ampliar o espectro de sua representação, para que possa alcançar mais de 50% dos votos. Na formação do pacto, a esquerda passa a se institucionalizar, e a direita cede para programas sociais.
Tal foi a lógica dos países europeus a partir de 1920, com a introdução do 2º turno. O primeiro Partido Social Democrata criado foi o alemão em 1889, significando ‘social’ a inclusão na economia dos excluídos, e ‘democrata’ a introdução da prática eleitoral para a escolha dos governantes. Neste pacto, os extremos políticos são isolados do jogo político, cedendo às posições de tendências mais centrais e de rotatividade do poder, com a tendência à formação de um sistema bipartidário.
No Brasil, a primeira formação de um pacto social se deu com Getúlio Vargas a partir de 1930, na aplicação de políticas urbanas através da CLT, sem a sua extensão à área rural. A tentativa de extensão dos benefícios urbanos à área rural na década de 50, em conjunto com outras políticas, acabou por resultar no regime de exceção de 1964. A partir de democratização em 1983, a maior liberdade social não foi acompanhada pela maior distribuição de renda, com a eleição de Lula para Presidente levando ao esgotamento do paradigma. A Carta do Povo e José Alencar como Vice Presidente simbolizam e reafirmam esse pacto.
De 2002 para cá, experimentamos notável progresso. O PIB cresceu de 500 bilhões para 1,5 trilhões de dólares, as reservas cambiais aumentaram de 35 para 240 bilhões de dólares, o salário mínimo foi de 80 para 280 dólares, o índice de GINI – que mede a distribuição de renda – melhorou de 0,58 para 0,52; 30 milhões de pessoas migraram das classes pobres para a classe média; 10,6 milhões de pessoas saíram fisicamente das favelas. O nível de investimento na econômica aumentou. O Brasil adquiriu projeção mundial.
As condições econômicas e sociais favorecem fortemente a candidatura de Dilma Rousseff, embora as eleições presidenciais de 2010 não estejam ainda definidas. À medida que o tempo passa, Dilma Rousseff vai sendo cada vez mais conhecida como a candidata de Lula, do PT e da continuidade das políticas e dos benefícios econômicos gerados. Por outro lado, José Serra é atualmente visto pelo eleitorado como administrativamente mais capacitado para governar o país.
São eleições que caracterizam a entrada do Brasil em uma era moderna, onde os partidos e seus projetos se sobrepõem a seus candidatos. Tanto o PSDB como o PT representam hoje projetos alternativos, percebidos pelo eleitorado a partir da vivência de 8 anos do governo Fernando Henrique, por um lado, e de 8 anos do governo Lula, por outro. 57% dos brasileiros acreditam que os atuais benefícios econômicos e sociais foram gerados pelo governo Lula, contra 17% que atribuem ao governo Fernando Henrique o mérito da implantação das medidas para o desenvolvimento. 55% acreditam que Dilma Rousseff representa a continuidade das políticas econômicas e sociais do governo Lula, contra 26% que atribuem a José Serra a maior capacidade em dar continuidade a essas políticas. 46% acham que José Serra tem mais experiência e maior capacidade administrativa para governar o país, contra 33% que atribuem a Dilma Rousseff esse atributo. 30% indicam os debates eleitorais como o principal critério que vão levar em conta na escolha de seu candidato.
Temos que aguardar os debates para vermos se os possíveis erros e acertos dos candidatos podem vir a alterar o rumo das tendências dos benefícios sociais. No voto espontâneo, Dilma Rousseff supera hoje a José Serra, com 20% e 15%, respectivamente. No estimulado, apresentam percentuais equivalentes na casa dos 35%, com rejeições semelhantes abaixo dos 30%, indicadores que viabilizam suas candidaturas. As curvas de tendência favorecem à Dilma Rousseff.
Regionalmente, Dilma Rousseff tem bom desempenho no Norte Nordeste, e José Serra melhor desempenho no Sul. Minas Gerais passa a ter posição central e decisiva no pleito. Prevalece, entretanto, em Minas o sentimento de ser inapropriada a ausência de Aécio Neves na corrida presidencial, por fatores regionais. No gênero, José Serra apresenta distribuição uniforme, e Dilma Rousseff mais voto masculino do que o feminino, o que indica movimento social e possibilidades de maior crescimento. Quanto mais novo e mais escolaridade, mais José Serra e, quanto mais idade e menos escolaridade, mais Dilma Rousseff.
O Brasil entra em uma época moderna de desenvolvimento e alternância do poder em torno de um pacto central. Seremos em futuro breve como os Democratas e Republicanos nos Estados Unidos, social-democratas e conservadores, na Europa. Quando as diferenças de renda aumentam no âmbito social, o partido à esquerda implementa a distribuição de renda e os programas sociais. Quando a lucratividade da sociedade decresce, o partido à direita implementa o enxugamento do Estado e a rentabilidade empresarial. Com a alternância do poder.
No Brasil, o déficit social acumulado e os benefícios sociais gerados possibilitam a continuidade do projeto atual. A oposição tem dificuldades na geração de um discurso e projeto alternativo. Temos que observar se o curso das campanhas políticas pode vir a alterar essas tendências.
terça-feira, 1 de junho de 2010
Carlos Lessa: Belo Monte e o diabo
Sistema brasileiro combina energia elétrica barata para as atividades eletrointensivas com energia extremamente cara para uso residencial e iluminação pública
Carlos Lessa*
O Brasil dispõe de três grandes bacias hidrográficas, cada uma regida por um calendário pluviométrico e regime climático próprio e diferenciado. Isto permitiu ao Brasil instalar a geração hidráulica como fonte prioritária de eletricidade e desenvolver um sistema integrado de usinas de geração e linhas de transmissão que possibilitou ao Brasil uma energia limpa, renovável e barata. O esquartejamento da privatização levou o país a uma situação que combina energia elétrica barata para as atividades eletrointensivas (como a produção de alumínio, cimento, papel e celulose) com energia extremamente cara para uso residencial, iluminação pública e empresas não eletrointensivas.Pelo sistema "de mercado" instalado, o consumidor brasileiro é sangrado pelo custo de energia elétrica e "subsidia" as exportações de alumínio, aço, celulose de fibra curta, ferro-silício, ferro-manganês, entre outros. As cidades brasileiras estão subabastecidas para iluminação pública, o que tem graves consequências sobre a qualidade da vida urbana. A lucratividade das concessionárias, predominantemente estrangeiras, que adquiriram as empresas privatizadas - pagando em parte com moedas podres e financiadas com créditos de banco públicos, é hoje recordista em lucratividade sobre patrimônio (superior a 20% a.a., na maioria das empresas). Os lucros anuais das elétricas (acompanhadas pela CVM) cresceram durante os oito anos do governo Lula em 230%.
O investimento produtivo das elétricas, ao contrário do proclamado pelos privatizantes, foi reduzido e insuficiente. As distribuidoras de energia, nas grandes cidades, em sua maioria cortaram e comprimiram os gastos de operação e manutenção. Qualquer carioca ou paulista sabe a frequência das interrupções e oscilações de carga. Em resumo, com o sistema estatal, o Brasil construiu a melhor matriz energética renovável do planeta. Com a privatização, esta renovabilidade está sendo corroída, pois a crise de suprimento energético estimulou a instalação da termeletricidade, que consome gás, óleo, combustível e outros itens não renováveis. A termeletricidade tem custos muito elevados, é altamente poluidora, mas é implantada com relativa rapidez. Essa "solução" foi implantada devido à atrofia do investimento público em hidreletricidade e "timidez" das empresas privadas.
Qualquer matriz energética deve ter termelétricas para cobrir situações ocasionais de escassez e/ou dominar a tecnologia de operação de eletricidade termonuclear. Entretanto, é uma estupidez que um país com amplo potencial hidrelétrico não lhe confira prioridade a partir de um planejamento eficiente para instalar novas usinas hidrelétricas. A pressa em privatizar, no governo FHC, não apenas desmantelou o setor elétrico estatal, como também implodiu o sistema de planejamento e financiamento do setor energético. Utilizou consultoria britânica, ou seja, de um país que não dispõe de significativa hidreletricidade. Acatou, em nome da "competição", o esquartejamento do sistema elétrico brasileiro. O governo Lula herdou uma situação caótica, cujo marco foi o grande apagão do final de FHC. Foi capaz de reduzir algumas dimensões da herança maldita, porém foi tímido em relação à restauração da presença estatal.
No atual sistema "de mercado", as hidrelétricas estatais não se apropriam da enorme lucratividade potencial de suas usinas. São obrigadas a vender lotes que darão sustentabilidade às atividades eletrointensivas e exportadoras e à espetacular lucratividade das empresas privadas, notadamente das distribuidoras. Segundo Campos Ferreira, em "O sistema elétrico brasileiro" (Economia e Energia, n.3, 2002), o custo de geração hidrelétrica no Brasil é de apenas US$ 4/MWh. Deveria prevalecer outro mix tarifário que beneficiasse o consumidor. Não é assim. Neste caso há uma perversa contribuição da termeletricidade. Com custos de produção mais elevados, sua lucratividade depende de tarifas elevadas. Em um sistema esquartejado, o consumidor é penalizado, pois paga por toda e qualquer energia uma tarifa impulsionada pelos custos termelétricos.
Desde o fim do regime militar já havia a indicação de "domar" o Rio Xingu e iniciar o aproveitamento dessa sub-bacia da Região Amazônica (14% do potencial inventariado do Brasil estão no Xingu). Em Estudo Xingu, a Eletronorte identifica cinco aproveitamentos, sendo o principal deles o de Belo Monte. Entre o escudo cristalino do Planalto Central e a Planície Amazônica, está o Cânion de Volta Grande, que faz uma curva (quase uma ferradura) com um desnível de 90 metros entre seu início e o final. O fluxo turbinável de quase 14 mil m3/s permitiria instalar um aproveitamento com 11 mil MWh. A usina seria a 3ª maior hidrelétrica do planeta. Contudo, exigiria a remoção de cerca de 400 habitantes de uma ilha fluvial e a inundação de toda a área abrangida pela ferradura.
Há uma crescente oposição ambientalista à construção de novas grandes hidrelétricas na Região Amazônica. Os ambientalistas avaliaram externalidades negativas de Belo Monte. Apontam perdas na atividade pesqueira (na represa não haveria peixes?); perda na qualidade (?) da água; inundação de floresta remanescente e de propriedades rurais e emissão de CO2 e metano (CH4). Cabe perguntar aos ambientalistas por que não avaliam a emissão alternativa de dióxido de carbono a partir da termeletricidade a ser alternativamente implantada. Os ambientalistas deploram os custos por evaporação da lâmina de água da represa (ao que eu saiba, toda água que evapora retorna sob a forma de chuva). Perdas por atividade turística (não há turismo para um grande reservatório?). Finalmente, aparece o argumento de perda de biodiversidade (até o presente, não avaliada).
É inquestionável que Belo Monte vai gerar progresso para a sub bacia do Xungu e criará empregos durante e após a construção. Porém o ambientalismo considera que o aumento populacional ocasionado pela presença da força operária e da mão de obra especializada durante a construção "provocará variações nos estilos de vida, hábitos e culturas". É óbvia a preferência da população local pelos estilos de vida, hábitos e culturas de operários e profissionais com salários dignos, carteira assinada e consumidores de bens e serviços civilizados.
Para os ambientalistas radicais, o aumento do uso intensivo de energia (o brasileiro dispõe de uma reduzida energia por habitante) irá aumentar o consumo de bens e serviços demandantes de energia. O aumento da oferta irá "consumir recursos naturais como matéria prima e poluir o ambiente". Para o ambientalista radical, a intervenção antrópica é sempre condenável; é contrário ao desenvolvimento social. Gosta do padrão neolítico e admira a "paz de cemitério".
É incongruente o ambientalismo brasileiro ser contra a hidreletricidade na Bacia Amazônica e, ao mesmo tempo, ficar em silêncio com as exportações crescentes de carne vermelha e soja, que impelem o capim e a lavoura de grãos destruindo as florestas e sua biodiversidade. Ficam em silêncio com a expansão da termeletricidade. Não se mobilizam politicamente contra o Brasil optar por exportar eletricidade (incorporada ao alumínio, celulose, minério de ferro etc).
Tiveram força, entretanto, para mutilar o projeto de Belo Monte. Será uma usina a fio d'água, que operará de forma reduzida durante os meses sem chuva do Brasil Central. O governo - que festeja exportações eletrointensivas e se orgulha do Brasil virar um "celeiro mundial" - reduziu em 26 metros a barragem, que terá um reservatório 70% inferior ao possível. Aliás, as barragens do Rio Madeira também não terão eclusas e o Brasil abre mão de 4 mil quilômetros de hidrovias navegáveis. O transporte aquaviário é o de mais baixo custo logístico para o Brasil, porém o ambientalismo não faz a defesa das hidrovias reguladas por grandes aproveitamentos hidrelétricos e navegáveis a partir de eclusas. É impressionante o silêncio da versão domesticada do ambientalismo que se diz favorável ao desenvolvimento renovável. Nada é, no domínio energético, mais renovável que a hidreletricidade. O governo Lula merece parabéns por, finalmente, tocar Belo Monte. Porém, como se sabe, "o diabo mora nos detalhes" do projeto de uma usina a fio d ' água e sem eclusa. É uma pena que o governo Lula seja tímido. Lembro que a timidez é oriunda de medos, produtos favoritos do diabo.
Carlos Lessa é doutor em economia, professor emérito e ex reitor da UFRJ e ex-presidente do BNDES.
Assinar:
Postagens (Atom)
